Johnny Springs é meu amigo de longa data e, como ele mora em um lugar tão especial, o convidei para uma entrevista sobre sua vida em Vancouver. Ator formado pela Escola de Teatro e Televisão Incenna, ele mora no Canadá a aproximadamente 1 ano e meio. Lá, Johnny estudou Atuação para TV e Cinema na Vancouver Film School.  Dono de talentos artísticos notáveis, ele escolheu o Canadá para se aperfeiçoar como ator e alavancar sua carreira. Agora, Johnny Springs revela de maneira impecável e exclusiva para o Planeta BM os motivos pelos quais você também deve escolher esse país para estudar, morar, trabalhar ou simplesmente passear!

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Johnny Springs

Como organizar sua viagem para o Canadá

PBM: Johnny, você foi para Vancouver como estudante. Foi difícil conseguir o visto?

JS: Foi extremamente fácil, Bruna. Assim que fui aprovado na Vancouver Film School, recebi por correio minha “Letter Of Acceptance”. Em morava em São Paulo e, com essa carta da escola, junto a outros documentos, pude dar entrada no processo de visto de estudante que, por sua vez, não demorou a sair.

PBM: Você já conhecia Vancouver antes de decidir se mudar pra aí? O que te fez escolher este destino?

JS: Não conhecia. Tive uma experiência muito agradável morando em Boston, Massachussets (EUA) por 5 meses em 2013, mas o Canadá era completamente novo para mim. Sobre a segunda pergunta, confesso que, talvez por influência do cinema norte-americano,  sempre tive um sonho de atuar em inglês . Dessa forma, após me formar ator no Brasil em 2014, pedi ao meu professor de câmera uma recomendação de curso no exterior. Sua resposta foi clara: Vancouver Film School! Após passar um tempo pesquisando sobre a cidade e o curso, cheguei à conclusão de que ele estava certo.

PBM: Houve algo que fez sua adaptação difícil no início?

JS: Pelo contrário, talvez pela beleza exuberante da cidade, o alto padrão de qualidade de vida e pelo meu domínio do idioma, o início foi fácil. É com o passar o tempo que o mar de rosas se desfaz um pouco. À medida que cai a ficha que você está a 10.000 kilômetros de distância dos seus familiares é que todo o encantamento natural que qualquer um teria ao visitar um lugar tão belo dá lugar a uma postura mais serena e acostumada. Em outras palavras, quando acaba a fase do “Turista” e começa a do “Morador”.

Praia de nudismo em Vancouver: Wreck Beach

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A surpreendente verdade sobre morar com uma host family

PBM: Na sua opinião, em quais aspectos a cidade de Vancouver se destaca das demais cidades canadenses?

JS: A beleza é, indubitávelmente, o primeiro aspecto que me vem a cabeça. Em toda essa terra imensa (segundo maior país do mundo em extensão territorial), não há cidade mais bela. A começar pelos privilégios naturais, como o imenso Stanley Park, as diversas montanhas com neve ao redor e até praias – que, embora não sejam boas como as nossas, também não são de se jogar fora. Além disso, Vancouver dá um show de arquitetura ao exibir uma série de prédios modernos com suas faixadas envidraçadas em um singelo tom de azul claro, uma marca registrada da cidade. O outro fator é o clima. Não sofremos por aqui com temperaturas baixíssimas como na maior parte do país. Enquanto a maioria das cidades ao leste registram marcas negativas como -25,-35ºC no inverno, a temperatura em Vancouver raramente fica abaixo de 3 graus no mesmo período. Por outro lado, chove MUITO, principalmente durante o outono e o inverno.

PBM: Muitos dizem que a vida em Vancouver é cara. Você concorda com isso?

JS: Não tem como discordar, até os próprios canadenses se encaixam nesse seu “Muitos Dizem”.  Essa qualidade de vida espetacular vem com um preço.

PBM: Você diria que o transporte público atende bem a população?

JS: Perfeitamente. O transporte público de Vancouver trabalha com ônibus, metrô e até aquabus, cubrindo praticamente toda a cidade e seus arredores. Isso sem contar o bom estado dos veículos, a boa educação dos motoristas, o mais absoluto respeito a deficientes físicos, e um preço que, se não é barato, é aceitável .

Vale a pena ir ao restaurante giratório Top of Vancouver? 

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PBM: O que você considera melhor no Canadá do que no Brasil?

JS: Tudo aquilo que é fundamental para o sucesso de uma nação desenvolvida:

Ótimo sistema de saúde pública, altos índices de Educação e, principalmente, uma segurança libertadora. Hoje eu tenho a consciência de que nossa liberdade no Brasil é condicional. Dependendo do horário, temos medo de sair de casa, é proibido ostentar posses e estamos em um constante estado de alerta. No Canadá, o risco de um assalto é remoto. Homicídio, então, nem se fala. As pessoas andam pelas ruas de madrugada com seus celulares de última geração à mostra, sem a menor preocupação. Como brasileiro, às vezes me deparo com cenas por aqui que meu cérebro tupiniquim tem dificuldades de processar, como várias pessoas com laptop no colo dentro do ônibus, gente fazendo cooper ouvindo seus Ipods às 2 da manhã e etc. Tudo isso na maior tranquilidade.

Cheguei à conclusão de que o Brasil é um país no qual nós temos que aprender a viver. No Canadá, eles simplesmente vivem.

PBM: O que você considera melhor no Brasil do que no Canadá?

JS: Nossa comida – que por sinal é a melhor do mundo – e a vida noturna do Brasil, que é muito, mais muito melhor do que a do Canadá. Enquanto nossas baladas iniciam suas atividades as 23:00 e terminam lá pelas 6:00 , aqui é meio que matinê, indo das 21:00 ás 2:00. Além disso, poucas vezes vi as casas aqui lotadas e não tem muita variedade de estilos musicais. E, por fim, O Brasileiro. Embora eu não possa fazer a mínima reclamação a respeito dos canadenses – pelo contrário, são muito simpáticos e educados -, eu sinto falta do calor e da alegria do povo brasileiro.

PBM: Você já sentiu alguma forma de preconceito por ser estrangeiro no Canadá?

JS: Se eu dissesse que sim, estaria mentindo. Aliás, geralmente me tratam melhor quando digo que sou do Brasil. Temos uma fama de ser um povo “legal”.

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Rocky Mountains, Canadá – O lugar mais lindo do mundo!

PBM: Você encorajaria outras pessoas a se mudarem para Vancouver?

JS: Essa é a pergunta mais difícil. Eu não sei o que cada um quer da sua vida, haha. O que eu posso dizer é que a chance de arrependimento vindo pra um lugar como esse é nula. Aqueles que decidirem vir irão morar em um lugar que é, de fato, um colírio para os olhos. Só a experiencia de caminhar pelas limpas ruas de Vancouver, rodeado por belos edifícios, flores em tudo que é lugar com montanhas à vista no horizonte, ja é revigorante. Ademais, esta é uma cidade extremamente cosmopolita, então a possibilidade enriquecedora de conhecer gente das mais variadas partes do mundo é certa. E o mais importante, tudo isso com uma paz e tranquilidade quase absoluta.

PBM: Qual conselho você daria àqueles que desejam começar uma nova vida em Vancouver?

JS: Se a intenção da viagem é uma imersão no idioma local, abraçe a cultura do país, busque amizade com nativos e procure se comunicar em inglês o máximo possível, independente das dificuldades. Como disse anteriormente, existem muitos estrangeiros por aqui, portanto é relativamente fácil achar brasileiros que servirão como uma zona de conforto. Dito isso, acredito que todo radicalismo é perigoso e, assim, acho desnecessário uma aversão à brasileiros, como às vezes acontece com alguns.

Àqueles que decidirem vir para ficar, um aviso: não importa o quão bem resolvido você seja e nem o quão perfeita seja a cidade… Por razões distintas, como família, clima ou idioma, haverá momentos de solidão e tristeza.

Esta é uma realidade que aconteceu pra mim e para todos os estrangeiros que conheci. Como eu combato esse estado melancólico? PRODUTIVIDADE. Quanto mais eu trabalho, estudo e cresço como indivíduo, melhor eu consigo lidar com a distância. Por fim, não questione a genialidade de Tom Jobim. Ele estava certo: É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO! Então, faça amigos, namore e aproveite que vivemos em uma era na qual a tecnologia é robusta o suficiente para minimizar nossa saudade dos entes-queridos. Lembre-se, aonde quer que você vá, sempre estará a apenas um Whatsapp de distância de quem você ama.

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