Junia Miranda Gonçalves é natural de São Paulo, tem 30 anos e mora em Toronto a 5 anos. Formada em Radio TV e Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi, possui 2 pós-graduações no Canadá e atualmente trabalha como Assistant Buyer em uma empresa conceituada. A escritora do blog Travel Culture foi convidada pelo Planeta BM para uma entrevista sobre como é sua vida em Toronto.

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PBM: Junia, você foi para Toronto em 2011  para estudar. Quais motivos te fizeram escolher essa cidade?

JG: Na verdade, escolhi Toronto pelo mercado de trabalho na minha área. Toronto é como São Paulo para a gente. Não é a capital, mas é onde tudo acontece que diz respeito a comunicação, moda e finanças no país. A Universidade também me atraiu bastante, mas fui além da escola quando pesquisei.

PBM: Foi difícil conseguir o visto de estudante?

JG: Na época, meu processo demorou quase 6 meses. Isso porque meu caso não tinha visto e sim carta de permanência. Sou filha de português e a dupla cidadania me facilitou não precisar de visto, mas dificultou a análise do meu processo, pois, na época, a imigração de portugueses no Canada estava descontrolada. Acredito que a dificuldade hoje em dia é a mesma, mas um pouco mais rápida.

PBM: Houve algo que fez sua adaptação difícil no início?

JG: Com certeza a saudades foi uma das coisas mais difíceis! Quando caiu a ficha que eu estava “sozinha”, chorei muito, mas na época tinha uma housemate (pessoa com a qual dividia a casa), que era super bacana e companheira e que ajudou muito. Além disso, tinha o meu namorado (que na época era só amigo), que também me ajudou com ótimas dicas e me levava para onde eu precisava. O inverno é uma desculpa clichê, mas, de verdade, é completamente diferente vir como turista e morar. Nosso corpo passa por uma adaptação bruta.

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PBM: Na sua opinião, encontrar trabalho em Toronto é fácil ou complicado?

JG: Para um recém chegado que esteja disposto a trabalhar em qualquer coisa, não é difícil. Aqui só não trabalha quem não quer. Agora, para trabalhar na minha área de formação aqui, eu encontrei um pouco de dificuldade sim. Sempre terá um doméstico com qualificações similares às suas e sua experiência no seu país não conta muitas vezes. Eu consegui depois de quase um ano de formada, fazendo muitas entrevistas, mas é sim possível.

PBM: Em média, qual o valor mensal que alguém gasta com moradia e alimentação?

JG: Toronto é uma das cidades mais caras do Canadá, infelizmente. Então, se você alugar um quarto bom, por exemplo, com água, luz e internet já inclusas, sai no mínimo R$600 dólares. E muitas vezes nem é mobiliado! Mas claro que pode achar com tudo também, depende muito da área e do tamanho da casa. Já a alimentação varia muito dependendo da pessoa e dos seus hábitos alimentares, se ela come de tudo, se como só orgânico… Eu colocaria, na média, uma alimentação básica sem muitas regalias um mínimo de $50,00 dólares  por semana para uma pessoa, incluindo mercado e sem contar as saídas para comer fora, cafézinhos ou snacks na rua. E claro que se você é uma pessoa que gosta de um café todos os dias do Starbucks, vai ser um pouco mais salgado, em torno de $5,00 dólares a mais por dia e por ai vai… Mas é possível sim viver no budget, desde que tenha foco (risos).

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PBM: O transporte público atende bem a população ou você considera importante ter um carro em Toronto?

JG: Transporte publico é OK, considerando o fato que a cidade esta crescendo muito rápido em população. Eles não estão conseguindo acompanhar muito. Já passei muita raiva em relação ao transporte ficar fora de serviço, parar no meio do caminho e ficar lá por 15 minutos e tal, mas acho que é o suficiente para não precisar de carro. O metrô liga os 4 cantos da cidade e passam ônibus nas principais travessas com bastante frequência. Se o trabalho for perto de alguma linha ou no centro, com certeza não é importante ter carro, até porque o estacionamento é caríssimo.

PBM: O que você considera melhor no Canadá do que no Brasil?

JG: Com certeza a segurança é o numero um para mim! Não que seja 100% seguro, mas não fico com medo de andar sozinha ou mexer no meu celular achando que vou ser assaltada. Outra coisa que gosto muito é a qualidade de vida. Aqui se trabalha muito, mas muito mesmo, mas se aproveita também. Conseguimos conquistar objetivos que queremos muito mais rápido que no Brasil.

PBM: O que você considera melhor no Brasil do que no Canadá?

JG: O nosso clima maravilhoso! Aqui as 4 estações do ano são bem marcadas. Conseguimos ver a transição de uma para a outra, mas o inverno é muito longo e não consigo ter coisas simples, como uma hortinha no meu jardim, coisa que no Brasil, principalmente quem mora no interior, tem em abundância. E, claro, as nossas praias! Além de serem melhores, são muito mais lindas.

PBM: Você já sentiu alguma forma de preconceito por ser estrangeira no Canadá?

JG: Sim! Mesmo Toronto sendo uma cidade multicultural, seu sotaque é diferente (isso não se perde). Seu currículo é fantástico, mas você esta tirando lugar de um canadense (esta infelizmente já escutei) e você sempre será imigrante. Infelizmente o preconceito existe.

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Qual a melhor época para visitar as Rocky Mountains?

PBM: Você pretende voltar a morar no Brasil futuramente?

JG: Eu sempre falo que o para sempre é muito tempo! Não sabemos o dia de amanhã, mas por enquanto não tenho planos. Amo meu país, mas escolhi o Canada para ser meu lar.

PBM: Você encorajaria outras pessoas a se mudarem para Toronto?

JG: Com certeza! Não só para Toronto, mas para qualquer lugar do Canadá. Este país é enorme e com muitas oportunidades.

PBM: Qual conselho você daria àqueles que desejam começar uma nova vida em Toronto?

JG: Não importa como queira vir, que venha preparado financeiramente e psicologicamente. Não dê uma de louco, como a geração dos nossos pais faziam, de vir em busca do “sonho americano” com 500 Dolores no bolso. Isto não funciona no Canadá! Faça planos, economize e, se realmente quer ficar, tente fazer tudo certo. Isso pode gerar polêmica, mas não venha com intenção de ficar ilegal. Mesmo que depois de anos consiga a legalização, tudo que foi feito de “errado” no passado pode custar bem caro no futuro.

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