A história foi mais ou menos assim:

Combinei comigo mesmo que eu acordaria no domingo, pegaria um ônibus até uma cidadezinha próxima de Limerick (clique aqui), onde eu residia, e passaria o dia explorando o lugar. Algumas pessoas já haviam me dito que se tratava de um destino interessante essa tal Killaloe e eu estava afim de conhecer. Dito e feito, levantei no domingo, me arrumei, peguei meu celular, powerbank, tripé (tudo para registrar meu grande dia) e fui caminhando até a rodoviária. Eu já havia verificado na internet que o ônibus partia sempre no mesmo horário pela manhã, então não tinha erro. Assim eu supunha, até descobrir toda a verdade. Afinal, o que o site não me disse é que esta linha não operava exatamente aos domingos.

Fui descobrir isso meio tarde, já na rodoviária. Fiquei frustrada, claro, mas decidi não me dar por vencida. Arrisquei algo diferente: já que meu ônibus não iria mesmo passar, eu então entraria em qualquer outro e pararia em qualquer lugar. Simples assim! Sairia sem rumo e aberta ao que o destino quisesse me trazer. Então, montei no primeiro veículo que ali encontrei e fiquei analisando suas próximas paradas. Eu nunca havia ouvido falar de nenhum daqueles lugares, mas tinha que escolher onde ir. Eu não tinha medo de cair em nenhuma armadilha, pois estava na Irlanda e sabia que podia ter alguma segurança ao andar nas ruas de qualquer cidade à luz do dia. Foi aí que uma das paradas me chamou a atenção: cidade de Newcastle West. Decidi que esta seria minha parada.

A escolha teve um motivo quase secreto. Sempre fui grande fã de uma cerveja inglesa chamada Newcastle. Ok, eu sei, nada a ver uma coisa com a outra – a cerveja é inglesa, de outra cidade, por acaso também chamada Newscastle. Mas foi o nome em si que me despertou a curiosidade. Afinal, precisaria existir um critério qualquer, certo?

Ao descer do ônibus, perguntei ao motorista para que lado ficava o centro da cidade e ele me mostrou a direção. Comecei a caminhar e tive receio de ter feito uma péssima escolha – a cidade parecia extremamente pacata, será que eu encontraria algum atrativo ali?

Fui chegando mais perto de onde disseram ser o centro da cidade e comecei a notar alguns comércios naquelas ruas silenciosas. Tudo fechado. Era domingo de manhã, mas parecia 25 de dezembro numa cidade fantasma. Ainda assim, comecei a ver graça em pequenos detalhes… vasos floridos, vitrines arrumadas, cheiro de paz. Sabe aquela calmaria de interior? Eu gosto.

Alguém passou por mim e cumprimentou. Caminhei mais um tanto e avistei um senhor bem velhinho, sentado num banco, esperando eu me aproximar para se entreter com um breve “bom dia”. Ele provavelmente sentava ali todas as suas manhãs à espera de transeuntes, só para notá-los e ser notado. Só para desejar que eles tivessem um dia bom e receber os mesmos votos. Prazeres pequenos da vida, prazeres de quem sabe viver.

De repente, uma pracinha. Cheguei no centro! Logo ali, também encontrei um castelo – coisas da Irlanda! Pronto, foi mesmo questão de minutos para eu já me declarar encantada por mais aquele cantinho da ilha esmeralda.

Não me interpretem errado, Newcastle West não é um lugar que deve estar na sua ‘top list’ de destinos de viagem. A cidade não é uma grande atração turística e talvez nem tenha nada de mais especial do que várias outras daquele país. Se você tem um tempo limitado na Irlanda, sugiro que priorize conhecer o Ring of Kerry (clique aqui), Dublin (clique aqui), Cork e a UCC (clique aqui), Galway (não deixe de visitar a mais fofa cada de chás da Irlanda – clique aqui) ou até mesmo a vila de Adare (clique aqui). Mesmo assim, eu digo que gostei de Newcastle West porque fui surpreendida positivamente. Fui sem saber o que encontraria e, no fim das contas, o resultado foi bem mais agradável do que eu aguardava.

Além disso, eu tenho essa queda por cidades pequenas, não nego. Adoro o clima sereno, caipira e aconchegante de lugares menos tumultuados. Aprecio os canteiros de quem tem tempo para cuidar das flores. Admiro pessoas que notam as outras pessoas ao seu redor e dizem oi quando se cruzam nas ruas. Valorizo os motoristas que não têm pressa e não se irritam ao esperar o pedestre atravessar. Gosto de observar aquela gente que sabe ser feliz sem precisar de tanto, aquela gente que acha chique quem vai estudar na cidade grande e que nem sabem os nomes das grifes da moda.

E, enquanto eu andava e me deixava ser tocada por tudo que me cercava, fui para numa área completamente residencial. Newcastle West tem essa organização bem marcada: comércios no centro e, fora dele, zonas tranquilas para se viver em paz. E que paz! Senti uma sensação muito boa caminhando por ali, como se ali morassem pessoas felizes e do bem. Claro que isso é provavelmente mentira – deve ter gente de todo tipo naquela cidade, eu sei. Mas foi isso o que acabei pensando enquanto admirava as belas casinhas.

Em 2 horas batendo perna, eu já tinha visto tudo e a fome crescia. Então voltei para a praça central, mas quase nada havia aberto as portas. Era umas 11h30 da manhã. Um homem me disse que eu poderia comer num pub que abriria após o meio dia. Ok, sentei num banco da praça e logo o tempo passou. Tomei uma sopa gostosa e um chopp encorpado antes de voltar para o ponto de ônibus rumo a Limerick.

O passeio foi breve, mas profundamente valioso. Aqui está o vídeo desse meu agradável dia, com mais imagens dessa adorável cidade, que posteriormente descobri ser o lar de alguns brasileiros.

 

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