Alice Sabatino é uma brasileira determinada. Cheia de coragem, sonhos e muita força de vontade, ela se despediu do Brasil em 2012 e embarcou para a Itália sem a pretensão de voltar. Formada em nutrição pela USP e mestre em Nutrizione Umana pela Università degli Studi di Milano (Unimi), Alice pretende ingressar no doutorado em 2017. Além da grande dedicação aos estudos, ela é também esposa e mãe de um lindo menininho de 11 meses. Convidada pelo Planeta BM, ela nos contou tudo sobre sua vida na Itália e trouxe informações cruciais àqueles que desejam viver ou conhecer esse belo país.

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Alice Sabatino

As lições que aprendi quando deixei o Brasil

PBM: Alice, como surgiu a ideia de ir embora do Brasil e por que escolheu a Itália?

AS: Sempre quis morar fora do Brasil, aproveitamos a origem italiana para reconhecer a cidadania e ficar de vez. O motivo principal foi segurança e, consequentemente, melhor qualidade de vida.

PBM: Antes de Parma, você morou em Lucca. O que te fez mudar de cidade e em qual delas gostou mais de morar?

AS: Mudei por causa de uma oportunidade de colaborar com um professor da Universidade de Parma, o que me ajudaria muito na carreira acadêmica. Confesso que Lucca estará pra sempre em nossos corações. Lucca é uma cidade menor e morar dentro da cidade antiga, circundada pela sua muralha, era como viver em um conto de fadas. Sinto saudades.

Cenário de Lucca

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PBM: Quando você saiu do Brasil, já falava italiano? Em quanto tempo aprendeu o idioma?

AS: Falava um pouco, mais arriscava do que falava, entendia tudo. Fizemos um curso de 2 meses com um professor particular, depois segui estudando sozinha na internet por mais 6 meses, mas foi morar e trabalhar aqui em um restaurante por quase 1 ano que fortaleceu meu italiano. Não é um idioma difícil de aprender, muitas palavras são bem parecidas, alguns tempos verbais são mais difíceis, mas nada melhor do que a prática.

PBM: Quais foram suas principais dificuldades no início da vida no exterior?

AS: Bom, eu não estava sozinha, vim com meu marido e sempre tivemos muita ajuda das pessoas que acabamos conhecendo. Mas acho que o problema maior foi alugar uma casa pra poder fazer a residência e poder dar entrada no processo de reconhecimento da cidadania.

PBM: Com exceção de família e amigos, do que você sente mais falta do Brasil?

AS: Acho que a comida, algumas coisas não têm aqui. Eu finalmente consegui fazer um pão de queijo perfeito depois de 3 anos, fica faltando o mendorato, o queijo meia cura e a lingüiça calabresa. Mas família e amigos em primeiro lugar, com o passar do tempo a gente vê que perdeu tantos acontecimentos importantes que fica difícil não pensar em um possível retorno.

PBM: Em quais aspectos você considera a vida na Itália melhor do que a vida no Brasil?

AS: Segurança e qualidade de vida, a vida aqui é tranquila, não tem aquele ritmo frenético que tem no Brasil, o pessoal valoriza a bicicleta como meio de transporte e param o carro pro pedestre atravessar. Coisas pequenas que no final fazem diferença. Mas pra mim, a segurança é o principal, foi o motivo mais forte que me levou a deixar o Brasil.

PBM: Você já sofreu algum preconceito na Europa por ser brasileira?

AS: Nunca, pelo contrário. Mas temos que deixar claro que eu e meu marido temos cidadania italiana e sempre procuramos nos integrar muito bem na cultura italiana.

Cenário de Parma

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PBM: Quanto se gasta em média com aluguel, alimentação e transporte público na sua cidade?

AS: Bom, vou passar o valor de quanto eu gasto. O nosso aluguel é cerca de 500 euros/mês, moramos em uma casa grande, mas é fora da cidade, é em uma fração, escolhemos aqui porque queríamos deixar nossos cachorros mais livres. Com esse valor na cidade (não no centro) é possível alugar um apartamento com 2 quartos, sala com cozinha americana e 1 banheiro e mobiliado, na verdade na Itália é mais fácil achar apartamento mobiliado do que sem nada.

Alimentação: supermercado e comer no trabalho 3x por semana pra 2,5 pessoas (2 adultos e 1 bebê de quase 1 ano), cerca 400 euros por mês. O bilhete individual do ônibus custa 1,20 euros e dura 1h, mas quem pega ônibus todo dia pode pagar o abbonamento de 28,50 euros por mês e pode pegar quantos ônibus quiser (eu pago abbonamento). Não podemos esquecer das contas, gás, agua, luz e lixo (tem taxa de lixo). O gás é utilizado pra aquecer a casa no inverno pra quem não tem lareira e pra aquecer a água. Nosso gasto médio mensal é: 160 euros. Mas isso pode variar muito, meu marido fica o dia todo em casa porque trabalha pra uma empresa no Brasil, então os gastos aumentam.

PBM: Em relação a oportunidades de trabalho, como você considera a situação atual da Itália?

AS: Considero igual em todo lugar, se você não tem trabalho especializado é mais difícil e o salário é mais baixo. O desemprego atual é de 11,4%, o problema é no caso dos jovens (15 a 24 anos), o desemprego entre os jovens é de 40%. Os contratos de trabalho sofreram modificações e infelizmente é mais difícil um contrato estável a tempo indeterminado.

Região do Trentino Alto Adige

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PBM: Você engravidou e teve filho na Itália. Como avalia essa experiência? Foi bem atendida pelos médicos? O acompanhamento durante a gestação foi como você esperava?

AS: Foi uma experiência maravilhosa, aqui em Parma tem um programa do Sistema Sanitário Nacional (SSN) de parto em casa. Desde o início da gravidez, como não era de risco, fui seguida diretamente pela obstetra (tipo uma enfermeira especializada) e não pelo ginecologista, o pré-natal foi tranquilo e o parto também, duas obstetras conhecidas em casa, o SAMU daqui é avisado pra deixar uma ambulância reservada no caso de necessidade quando iniciam as contrações. Tem toda uma preparação e encontro com as obstetras que vão participar do parto, a gente cria um laço, uma amizade. Detalhe, tudo isso gratuitamente.

PBM: De todos os destinos italianos que você teve a oportunidade de conhecer até o momento, comente os 2 que você mais recomendaria a um turista.

AS: Além daquelas famosas (Firenze, Roma, Venezia) que têm grande importância histórica, amo o Trentino-Alto Adige, no norte, faz fronteira com a Áustria, lá falam italiano e alemão. As paisagens são de tirar o fôlego, muita montanha e lagos. Pra quem gosta de natureza esse é o destino ideal, fiz uma viagem de bicicleta por lá, é uma região com muitas ciclovias. No verão é possível fazer várias trilhas e no inverno as pessoas vão esquiar.

Pra quem gosta de mar, eu recomendo ir pra Liguria, Cinque Terre é uma região linda, mas muito cheia de turistas, qualquer cidadezinha do litoral da Liguria é tão linda quanto, o mar é azul turquesa, maravilhoso. Não conheço a Sardegna, mas também dizem ser maravilhosa.

Cinque Terre com o mar da Liguria

PBM: Por fim, qual conselho você daria àqueles que desejam se mudar para a Itália?

AS: Aprenda a língua, a história e a cultura, só assim você vai conseguir se integrar. Evite conviver somente com grupos de brasileiros.


Alice mantém um blog com informações importantes sobre como adquirir a cidadania italiana. Para acessar, clique aqui.

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