Essa parece ser uma perguntinha sacana, mas a verdade é que é extremamente comum as pessoas ganharem alguns (ou vários) quilos durante uma experiência de intercâmbio. Você provavelmente conhece alguém que já passou por essa situação ou, quem sabe, já sentiu na própria pele. Mas por que será que isso acontece e o que é possível fazer para evitar ser a próxima vítima do “efeito baiacu” do intercâmbio?

Na minha experiência pessoal em uma casa de família indiana, passei por alguns apuros quanto à alimentação e contei tudo em detalhes em outro texto. Para ler sobre essa experiência, clique aqui.

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Sejamos coerentes, o intercâmbio é muito mais do que um curso de idioma – é uma experiência cultural para a qual você deve ir de peito e mente abertos. Isso significa que você deve ir disposto a entrar em contato com novas pessoas, novas experiências, enfim, deve ir preparado para se envolver de verdade com aquela nova cultura – e uma cultura inclui seus hábitos alimentares. Experimentar a culinária de um país ou de um povo é mais uma das maneiras de entendê-lo, de demonstrar aceitação, abertura e de interagir. Além do mais, comer não é apenas uma ação para a sobrevivência – comer tem uma importante função social. Isso quer dizer que não nos alimentamos meramente para satisfazer as necessidades físicas, nos alimentamos também para confraternizar, para nos consolarmos, para sentirmos prazer, para sanar nossa curiosidade de experimentar sabores diferentes, para agradar outras pessoas, etc. Logo, defendo que você deva sim provar os quitutes e gostosuras do lugar para o qual você viajar sem medo de ser feliz! (Mas veja bem, provar é uma coisa e se empanturrar é outra).

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Porém, ninguém gosta de ver sua imagem mudar para pior tão rapidamente e, para evitar que isso ocorra durante o seu intercâmbio, é fundamental entendermos os fatores que nos levam ao descontrole. Pensando nisso, esse texto está organizado de forma a contemplar 3 questões fundamentais: Por que comemos? Por que engordamos? O que fazer para evitar o ganho exagerado de peso? 

Então vamos lá:

Por que comemos?

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A primeira e mais importante questão a se considerar é o porquê comemos. São várias as respostas possíveis e elas variam de caso para caso. Portanto, podemos (e iremos) elencar aqui algumas possíveis causas de uma compulsão alimentar, mas é só você quem pode identificar qual ou quais delas te dizem respeito. Feito isso, ficará mais fácil se policiar, pois entenderá que não está comendo por fome e sim por outros motivos.

Já falei aqui da função social da comida, afinal ela está sempre presente em situações de celebrações e de reuniões, mas há também outros aspectos que podem influenciar direta ou indiretamente o súbito aumento de apetite dos intercambistas. Para evitar que os alimentos virem sua “válvula de escape”, é bom estar atento às milhares de transformações que estarão acontecendo simultaneamente ao seu redor e dentro da sua cabeça antes e durante o intercâmbio. São muitas informações, novidades e mudanças acontecendo em sua vida e processar tudo isso não é tarefa simples para nossas emoções e cognição. Assim, temos aqui a primeira explicação para nossa fome avassaladora: a ansiedade. Além dela, outros fatores foram elencados abaixo:

  • Ansiedade – certamente a vilã nº 1! A ansiedade já se faz presente desde quando você começa a pensar em deixar para trás familiares, amigos, cachorro, zona de conforto. Ela faz parte desse processo, mas precisa ser controlada com seriedade, pois senão pode trazer indesejáveis complicações para a vida de qualquer um.
  • Mudança climática – principalmente quando vamos para um lugar mais frio, tendemos a sentir mais fome. Isso é cientificamente comprovado, pois a baixas temperaturas o corpo gasta mais energia (kcal) para se aquecer, ou seja, ele precisa de mais combustível (comida).
  • Curiosidade – comemos também por curiosidade e muitos especialistas em alimentos sabem bem disso. É por esse motivo que são desenvolvidos tantos alimentos com diferentes formatos, cores, aromas e ingredientes misturados. Tudo é feito para captar nosso interesse e despertar em nós um desejo de provar aquilo que estamos vendo pela primeira vez. Em um novo país, você certamente irá se deparar com muitos alimentos novos e se sentirá tentado a experimentá-los.
  • Prazer – alguém duvida que ingerir certos alimentos nos causa prazer? Há até quem diga que prefere chocolate a sexo.
  • Falta de nutrientes – por conta das rápidas mudanças em sua dieta, é possível que seu organismo esteja sentindo falta de alguns nutrientes que estava acostumado a receber em determinada quantidade. Isso fará você sentir mais fome e a instintivamente procurar alimentos que contenham tais nutrientes. Mas cuidado! Meu corpo, por exemplo, sentiu muita falta de proteína quando me mudei para uma host family indiana/vegetariana (clique para ler esse texto) e, sem querer, desenvolvi um ‘caso de amor’ com os chocolates canadenses (que são gostosos e contém proteína). O problema é que eu não era habituada a consumir tantos doces antes e, como resultado, engordei 8kg em 4 meses de intercâmbio.
  • Comemorações e confraternizações – você está curtindo o seu momento e convivendo com outros intercambistas nesse mesmo clima. Logo, vocês querem sempre festejar e, com isso, aumentam as saídas para restaurantes, bares, baladas, etc. O resultado já sabemos: comidas engordativas e um significativo aumento no consumo de bebidas alcoólicas, que te fazem inchar rapidinho.
  • Consolo – você está triste: o idioma é difícil, seus amigos e familiares estão longes e certas coisas não estão sendo como esperava. Não tem ninguém para te fazer um cafuné, então cabe a você mesmo se fazer um agrado… que tal se permitir comer aquela coisinha tão gostosa que está bem na sua frente? Pronto! Você come, fica feliz por alguns minutos enquanto mastiga e, logo após a última bocada, sente-se pior ainda. Por que será que fazemos isso, né?
  • Desespero – então você percebe que já ganhou uns quilos e se sente péssimo. Está tão infeliz que precisa de uma fonte de prazer instantâneo e acaba recorrendo às guloseimas. Bola de neve! Isso se repete tantas vezes que sai do seu controle. Descontrolado, continua comendo em excesso…
  • Punição – acontece quando você está infeliz consigo próprio. Seja por estar insatisfeito com seu físico ou com qualquer outra coisa (pisou na bola com alguém, não está indo bem nos estudos, fez escolhas erradas, etc). Aí você se castiga dando para o seu corpo alimentos que sabe que não são saudáveis e, ainda por cima, que são geralmente extremamente calóricos.

É importante notar que alguns desses processos acontecem de maneira inconsciente. Apenas a partir de auto análises (ou análises feitas por profissionais capacitados) a pessoa pode desenvolver o autoconhecimento necessário para controlar tais mecanismos.

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Por que engordamos?

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  • Nos permitimos mais –  você está aproveitando seu momento e não quer restrições a nada que esteja te proporcionando prazeres. Então, você relaxa e faz apenas o que tem vontade, como se não houvesse amanhã.
  • Participamos de tudo – qualquer convite que surge, estamos dentro! Não queremos perder uma oportunidade e, com isso, estamos sempre na rua, comendo o que encontrar por lá.
  • “Esquecemos” da balança – a balança serve como uma referência que pode nos ajudar a saber se estamos indo longe demais com a comilança, mas muitas vezes preferimos ignorar sua existência durante o intercâmbio.
  • Alimentos industrializados – quem quer perder tempo com mercado e cozinha durante o intercâmbio? São tantos passeios a se fazer, pessoas para interagir, fotos para tirar… realmente fica mais fácil e mais barato pegar um salgadinho da prateleira. O grande problema é que muito raramente você encontrará opções saudáveis entre as fast foods.
  • Ingredientes desconhecidos – muitos dos alimentos que você ingere são preparados de forma desconhecida, com ingredientes que você nem imagina…
  • Alterações na dieta – quando você altera o “combustível” da sua máquina, a resposta dela também muda. Vemos isso facilmente em carros flex. Com gasolina, o veículo percorre mais kms com 1 litro; com álcool, ele consome mais, mas também fica mais forte. Nosso corpo não é diferente! A partir do momento em que você altera sua dieta, obterá outras respostas do seu organismo. Além de mudanças no peso e nas medidas, você poderá sentir modificações no humor, sono, disposição, etc. É bom se observar.

O que fazer para evitar o ganho exagerado de peso?

soupEm primeiro lugar, entenda que alguma oscilação na balança é simplesmente normal para quem faz intercâmbio (inclusive, algumas pessoas até perdem peso). Cuidado para que a paranoia não te impeça de desfrutar momentos gostosos junto dos novos amigos. É como eu disse lá em cima, um intercâmbio é uma experiência cultural e a alimentação é um importante elemento da cultura de um povo. Portanto, reforço meu argumento anterior de que sou favorável à degustação das comidas locais, mesmo que isso signifique uns quilinhos a mais. Garanto que vale a pena!

No entanto, existe uma diferença entre provar alimentos e desenvolver uma compulsão alimentar. Essa última geralmente traz consigo episódios de comilança exagerada e, em seguida, um sentimento de culpa e arrependimento. Claro que existem diferentes níveis de compulsão, dos mais brandos aos mais graves, podendo até ser caracterizado como um distúrbio alimentar em certos casos. Mas acalme-se! Podemos adotar algumas estratégias simples no dia a dia para prevenir o caos e para que você não termine sua maravilhosa experiência de intercâmbio se sentindo um patinho feio. Lá vai:

  • Mexa-se – frequentar uma academia ou fazer algum esporte coletivo é uma excelente oportunidade de socialização, de fazer novos amigos, praticar o idioma e, de quebra, te ajuda a manter a forma. Outra opção são os aplicativos de exercícios – é só baixar no celular e fazer no seu quarto – não tem desculpa! Fora isso, você também pode optar por atividades ao ar livre (como passeios em parques a pé ou de bicicleta) e caminhadas mais longas. Por exemplo: desça uma estação antes do metrô todos os dias e complete o percurso a pé.
  • Balanceie refeições – vai jantar fora hoje? Então contente-se com um almoço mais leve. Pessoalmente falando, eu prefiro compensar as refeições antes de “jacar”, porque, depois que o estrago já está feito, meu foco na dieta fica meio abalado. Mas aí é coisa de cada um…
  • Faça acordos consigo mesmo e cumpra – vai para o pub com os amigos? Antes de sair de casa já tenha claro quantos drinks vai beber e o que vai comer. Se você “for na onda”, no ritmo “deixe a vida me levar”, são grandes as chances de perder a linha.
  • Vá ao mercado – e compre alimentos saudáveis para tê-los ao alcance na hora da fome. Como eu disse antes, é bem mais difícil encontrar opções fit nas lojinhas de rua.
  • Carregue alimentos saudáveis na mochila – essa dica vale ouro! Não adianta comprar as frutas mas deixá-las em casa. E outra coisa, opte por alimentos fáceis de transportar e de comer – nada que meleque a mochila ou que precise descascar com faca, comer com talheres, etc. Exemplos de bons alimentos: maçã, castanhas, barras de cereal, cenoura.
  • Evite o que for “extra” –  principalmente na América do Norte, eles adoram nos empurrar algo a mais na hora que vamos comprar um produto. Você só quer um café preto, mas no caixa vão te oferecer leite, doces e qualquer outra coisa que faça seus olhinhos brilharem. Recuse! Mesmo que for brinde: recuse! Mesmo que 200ml de refrigerante ou suco seja quase o mesmo preço de 1 litro: recuse! Você só quer café preto ou 200ml de refri/suco.
  • Não estoque gordices – bateu aquela vontade de uma guloseima das boas? Vá ao mercado e compre a embalagem pequena, suficiente para matar a sua vontade agora. Não se deixe levar pelos pacotes imensos e econômicos. Aquilo na sua casa é o diabo abanando o rabinho.
  • Leia rótulos – importantíssimo! Na embalagem está escrito: light, diet, saudável, baixo sódio, teor reduzido de gorduras, sem açúcar, sem glúten, sem isso e sem aquilo – cuidado! Procure o rótulo e verifique todos os ingredientes. Quase sempre você irá se surpreender – os industrializados costumam ter muitas porcarias misturadas em suas composições. E se não entende as palavras naquela língua, use o tradutor do celular!
  • Pergunte como é preparado – no cardápio do restaurante não há rótulos e nem quando você come um prato preparado por alguém. Ainda assim, você pode perguntar para a pessoa que cozinhou ou para o garçom sobre os ingredientes e preparo do alimento.
  • Recuse – a pessoa fez uma comida especial para e você, mas é a coisa mais calórica do mundo? Claro que pode experimentar, mas tenha moderação. Não é chato comer pouco! Chato é se olhar no espelho e se sentir mal. Chato é preocupar-se mais em ser simpático do que em cuidar da sua saúde (aliás, é bom frisar que a saúde deve ser uma preocupação sempre acima da estética). Se for o caso, explique que está de dieta.
  • Procure uma balança – é bom se pesar sempre no mesmo lugar. Então escolha uma farmácia que fique no seu caminho e ao menos uma vez na semana dê uma conferida no seu peso. É importante que você use sempre a mesma roupa e sapatos nessa ocasião, pois algumas peças podem interferir bastante nos números apontados.
  • Frio dá fome, mas… – isso não significa que você precise de pizza e hambúrguer. Você pode ingerir mais calorias sem engordar, desde que escolha os alimentos corretamente.
  • Cozinhe – é bem provável que pelo menos uma vez na semana você tenha um tempo livre para deixar algumas marmitas preparadas. Faça isso. Cozinhe coisas que você gosta, que sejam práticas e deixe-as prontas para facilitar sua vida e sua dieta.

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Como podem ver, são várias as formas de se minimizar o estrago e só depende de você! Agora, se mesmo com essas dicas você ainda não está conseguindo fazer o ponteiro da balança parar de subir durante o seu intercâmbio, não se desespere! Sério! Não pense que tudo está perdido porque não está. Você não precisa ser tão rígido consigo mesmo, entenda que há um complexo processo de adaptação acontecendo em sua mente e corpo com a mudança de país, de rotina, de clima, de tudo. Aos poucos as coisas se ajeitam e você entra no ritmo de novo. Ademais, seu intercâmbio não vai durar para sempre (infelizmente) e a grande maioria das pessoas recuperam logo sua forma física antiga quando voltam para casa e para a sua rotina.

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