Cheguei e nada foi como eu esperava. Em primeiro lugar, eu esperava um frio terrível em pleno fevereiro, muita chuva e paisagens monótonas. Para minha surpresa e alegria, não foi bem assim. As temperaturas têm sido suportáveis e, mais que isso, estão até agradáveis. A chuva, é verdade, se faz bastante presente. Mas não incomoda como eu imaginava. No caminho de ônibus até a minha cidade, fiquei encantada com o visual no estilo rural, interiorano e com muito verde. Nas cidades, a ausência de prédios altos dá um clima aconchegante e nada intimidador. Foi fácil me sentir “em casa” em Limerick, onde estou. Talvez Dublin tenha outra cara, seja mais lotada, mais intensa, menos acolhedora num primeiro momento, não sei. Como eu estava em busca de uma vida mais tranquila, fiquei contente por ter vindo parar em Limerick, essa cidadezinha com menos de 100 mil habitantes.

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A história do início dessa minha jornada estaria perfeita se parasse por aí, com boas surpresas apenas. Porém, infelizmente, a coisa logo ficou feia pro meu lado. Para começo de conversa, cheguei aqui sozinha, sem conhecer uma pessoa sequer. Isso não me botou medo, pois eu já tinha um plano estruturado para minhas primeiras semanas aqui, tinha um lugar para morar, coisas com as quais me ocupar. Planejava tirar os primeiros dias para me ambientar bem, comprar minhas coisinhas, tratar de algumas questões burocráticas também. Esse era o meu plano, mas não era o plano que o destino me reservava. Coisas da vida…

Já na minha primeira hora em Limerick, tudo foi radicalmente diferente daquilo que eu imaginava… e continua sendo. Estou aqui a dois dias dando muita cabeçada por aí. Sim, só dois dias, mas já são tantas histórias absurdas! Qualquer hora preciso escrever sobre elas em mais detalhes! O fato é que, a cada 9 rasteiras, a vida me traz 1 recompensa positiva, à qual preciso me apegar fortemente para não desistir de tudo e me mandar daqui.

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Com frequência fico confusa com tantas informações. Questiono minhas escolhas, minhas prioridades, minhas necessidades… Mas, apesar das dúvidas, no fundo eu sei o que está acontecendo. É a vida! É a vida me testando outra vez. É a vida me ensinando. É ela dizendo: “dê mais um passo, não pare agora, não pense, faça, cresça”! Ela traz os problemas e meu papel de aluna é apenas o de resolvê-los, assim como era desde a época da escola. Mas agora não tem mais professora carinhosa nem a mamãe para ajudar com o dever. Sou só eu. Eu e minha fé, minha garra, minha coragem, persistência, chame do que quiser. É assim que a vida faz… ela te desafia e te dá oportunidades de vencer ou de se entregar. Cabe a nós nos acovardarmos ou reagirmos. Cabe a nós vermos em cada obstáculo um motivo para parar ou um estímulo para ir além. Não, não é fácil. Mas também não é tão difícil assim. Às vezes o segredo é não pensar demais. Como diz um ditado que gosto muito: “se estiver atravessando o inferno, não pare!”

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