Falar um segundo ou terceiro idioma já se tornou essencial. O domínio do inglês, por exemplo, não é mais considerado um diferencial e sim um pré-requisito para quase qualquer profissional. E não é só no trabalho que as línguas estrangeiras se fazem presentes. Elas estão em absolutamente tudo: computador, internet, televisão, músicas, programas, propagandas, etc. Se eu ficar aqui mencionando, essa lista crescerá infinitamente. E é por essas e outras que tanta gente tem ido em busca dos programas de intercâmbio!
Não há dúvidas de que morar em outro país é a melhor forma de se aprender uma nova língua. Com dedicação, é possível apresentar progressos imensos em um curto período. Geralmente, a duração de cursos completos de inglês no Brasil gira em torno de 5 anos. Por outro lado, se você encarar um intercâmbio de um ano, já terá grandes chances de voltar fluente. Mas ‘grandes chances’ não significa que isso é garantido. Na verdade, certas pessoas voltam com um inglês (ou qualquer outro idioma) bem meia boca. Outras até apresentam uma bela evolução, mas aí voltam para casa, deixam de praticar e logo esquecem tudo o que aprenderam com tanto esforço. Isso acontece simplesmente porque o bom aproveitamento da experiência de intercâmbio e o sucesso no aprendizado de um idioma dependem muito de cada um. Por isso, foram elencadas aqui 10 dicas preciosas para futuros intercambistas:
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1. Evite amizades com brasileiros

Brasileiros podem ser excelentes pessoas e amigos maravilhosos, não é essa a questão. Lembre-se de que seu objetivo maior durante o intercâmbio é aprender outro idioma e, se você se rodear de companhias que falam a sua língua materna, estará se desviando do seu foco. As pessoas costumam insistir na besteira de criar vínculos com os conterrâneos durante o intercâmbio. Se você seguir apenas essa dica à risca e “fugir” dos brasileiros, já estará fazendo um grande favor a si mesmo!
Mas saiba que não é tão fácil. Muitos destinos estão lotados de brasileiros e você vai trombar com eles a todo momento. Há uma tendência de nos ‘identificarmos’ com outros brasileiros, o que favorece a criação de laços de amizade, mas tente focar no seu objetivo maior, que é aprender inglês. Acredite, essas amizades vão te atrapalhar muito neste sentido. E desista, vocês não vão falar em inglês quando saírem juntos.

2. Assista TV, ouça rádio

Quando estiver em casa, assista programas na televisão, ouça músicas! Essa é uma forma gostosa de estudar. Por mais que você não entenda nada no começo, insista. As imagens já vão dando pistas do assunto, aos poucos você vai acompanhando mais e mais. Seu ouvido vai se acostumando com os sons do idioma. Além disso, é uma fonte de cultura! Sempre que possível, selecione legenda também em inglês ou no idioma que pretende aprender. Nunca em Português. Assim, você pode ir se familiarizando também com a escrita das palavras.

3. Saia da toca

Se jogue! Visite os parques, lojas, museus, teatros. Vá ao cinema! Faça alguns programas sozinho. Ande de ônibus, trem, metrô. Leve suas roupas na lavanderia algumas vezes, fique sócio da biblioteca municipal, vá ao supermercado. Aprenda a se virar de uma vez por todas. Aprenda como é fácil, possível e gostoso ser independente. Descubra que você consegue isso. Amadureça, flexibilize-se.
Vá a shows, pubs, festas ou mesmo a igrejas. Frequente lugares que pessoas possam vir te abordar e, assim, te forcem a usar o idioma de maneira espontânea.
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4. Não viaje com amig@s ou namorad@

O intercâmbio deve ser também uma lição de independência e amadurecimento. Vá sozinho! Seu amigo também quer ir? Ok. Então cada um no seu canto. Não morem juntos, não se encontrem todos os dias. Isso tem muito a ver também com o que falei ali em cima: evite amizades com brasileiros nesse período!

5. Fique em casa de família

Pode sair mais caro, mas compensa. É mais uma forma de potencializar o aprendizado da língua. Mas verifique antes quem é essa família. Por exemplo, se você for estudar inglês, evite ficar com famílias que falem português, espanhol ou italiano. Essas línguas se assemelham à nossa e vocês poderão não usar tanto o inglês para se comunicar.
Além disso, é importante se informar sobre a cultura da família com a qual vai morar. Você não vai querer passar pelas saias justas que eu passei com a minha host family indiana no Canadá (clique aqui pra ler esse texto)
Outra coisa: se a família tiver crianças, melhor! Crianças são insistentes, adoram ensinar, têm paciência, gostam de interagir e te incentivam a aprender.

6. Cometa erros

Não tenha medo de dizer que não entendeu, de perguntar 28 vezes a mesma coisa ou de falar errado. Todo mundo dá foras em qualquer língua! O bom é que depois você poderá rir dessas situações, terá histórias para contar. Não tem problema se você tem pouco vocabulário, arrisque e deixe que te corrijam. Só assim aprenderá. Afinal, se você já soubesse falar perfeitamente, não estaria fazendo intercâmbio, certo?
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7. Comunicação além da língua

Quando a gente conta uma história, usamos tantos recursos além das palavras: mãos, gestos, caretas, sons, objetos, apontamos, desenhamos, etc… Faça isso! Mais uma vez: e daí que você não sabe as palavras exatas? Quase sempre é possível se comunicar por outros caminhos. Explore-os. A comunicação se dá também  através de gestos, sons, caretas, imagens, etc.

8. Vá para uma cidade pequena

Eu amo grandes cidades! Paris, Londres, Nova Iorque. Adoro o movimento, as luzes, a variedade, o multiculturalismo, a sensação do anonimato. Mas, para uma experiência de intercâmbio, acho que as cidadezinhas são a melhor opção em vários sentidos!
Para começo de conversa, grandes centros já estão lotados de brazucas, em sua grande maioria. Eu já falei sobre o quanto isso pode ser prejudicial. Além disso, é mais difícil ter contato com a cultura de determinado país em cidades cosmopolitas, pois todas as culturas estão presentes simultaneamente. Enriquecedor por um lado, empobrecedor por outro. Ao optar por uma cidade pequena e mais pacata, aumentam as suas chances de conhecer melhor o estilo de vida das pessoas daquele lugar e de fazer amizades com os nativos. Em Londres, por exemplo, pode ser bem difícil encontrar um inglês!
Outra coisa a se considerar: cidades muito agitadas podem não ser uma boa para quem tem o objetivo principal de estudar. A imensa oferta de atividades e programas pode ter como conseqüência uma drástica diminuição do tempo dedicado aos estudos.

9. Tenha Paciência

A fluência não é algo que vem tão rapidinho. Não seja tão exigente consigo mesmo! Siga o seu ritmo, faça o seu melhor e sinta-se satisfeito com os progressos.
Nosso cérebro tem um limite de absorção de novas informações por dia. Você pode ajudá-lo a ter um melhor desempenho, mas não pode transformá-lo em máquina. Por exemplo, desista de passar de um nível básico para o avançado em um mês no exterior! Se esse é o máximo de tempo que você pode se ausentar do seu país, abrace a causa mesmo assim, mas prepare-se para não sentir tanto avanço. Se você se preparar para isso, menores serão as chances de frustração, ou seja, mais satisfeito você ficará no final das contas!
Quando eu fiz meu intercâmbio, aos 17 anos de idade, aprendi bastante! Fiquei 4 meses em Vancouver. No primeiro mês já senti melhoras significativas, mas foi só no terceiro mês que me percebi de fato segura para manter uma conversa com os outros. O primeiro passo foi compreender melhor o que os outros falavam, mas ainda tinha dificuldade de me expressar. É normal, primeiro a gente identifica a fala (ouve) e depois aprende a reproduzi-la. Aos poucos fui me soltando e me sentindo mais confortável com o inglês, mais confiante. Cada um tem seu tempo.

10. Continue estudando

Acabou o intercâmbio, você voltou para o Brasil.. e agora? Matricule-se urgentemente em um curso de inglês. Não perca tempo ou você vai esquecer boa parte do que aprendeu mais cedo do que imagina. Acredite, é rápido mesmo. E é frustrante! Portanto, descubra maneiras variadas de manter o seu contato com a língua e se dedique a isso. Faz toda a diferença!

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